Dúvidas sobre o surto de febre amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus da família dos Flavivírus, um tipo de vírus que causa doenças em humanos e em outros vertebrados. Ela é considerada aguda e hemorrágica e recebe esse nome por causar icterícia, um sintoma que deixa a região dos olhos, pele e mucosas com aspecto amarelado.

FEBRE-AMARELA

A forma de contágio da febre amarela acontece por meio de picada de mosquito. E é importante alertar que existem três espécies de mosquitos capazes de transmitir o vírus da febre amarela. As espécies de mosquito Haemagogus e Sabethe transmitem a febre amarela silvestre, pois estão concentradas em regiões de mata e interioranas. Já o Aedes aegypti é responsável pela transmissão da febre amarela urbana, que atinge grandes cidades e áreas metropolitanas. Porém, o vírus transmitido é o mesmo, só muda o agente transmissor.

A febre amarela silvestre é considerada endêmica, ou seja, recorrente na região norte do Brasil e de maior incidência em zonas rurais. A maior frequência da doença acontece entre os meses de dezembro e maio, período em que o índice de chuvas aumenta. Consequentemente há um aumento também na proliferação do vetor. Já a febre amarela urbana não é registrada no Brasil desde 1942.

A incidência de febre amarela silvestre sempre foi presente em algumas regiões do Brasil. No entanto, desde o ano de 2009, época em que houve um surto com 51 casos confirmados, ela parecia estar controlada.

Porém, no início de 2017 as autoridades de saúde registraram um novo surto da doença em algumas cidades de Minas Gerais. Até o momento foram registrados 152 casos suspeitos da doença. Além disso, foram contabilizados 53 óbitos suspeitos, dos quais 8 foram causados pela febre amarela. O Estado do Espírito Santo também apresenta até o momento dois casos de febre amarela. Em São Paulo, duas pessoas e alguns macacos faleceram nas cidades de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, ambas no interior de São Paulo.

Em declaração, o ministro da Saúde Ricardo Barros disse que a situação sobre os casos de febre amarela está sob controle. De acordo com ele, a população em áreas de risco deve procurar os postos de vacinação para se imunizarem contra o vírus.

Ainda assim o surto de febre amarela tem gerado muitas dúvidas. Como forma de esclarecer o assunto, o Portal Minha Vida conversou com a epidemiologista Helena Brígido, especialista em arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Como acontece a transmissão da febre amarela?
Os macacos são os reservatórios do vírus da febre amarela, o que significa que eles já têm o vírus e convivem harmoniosamente com eles. Os mosquitos Haemagogus e Sabethe estão presentes em áreas silvestres e quando eles picam os macacos, passam a ser contaminados com o vírus da febre amarela, tornando-se vetores de transmissão.

Quando o mosquito entra em contato com o ser humano, transmite o vírus. Além disso, um mosquito contaminado pode picar um macaco e aumentar a carga viral do primata. Esse tipo situação contribui para que aumente o número de óbitos de macacos por febre amarela, fazendo que com consequentemente os mosquitos que picarem esses macacos também tenham uma carga viral maior e também contaminem os humanos com mais vírus.

Quais são os sintomas mais comuns e quanto tempo demoram para se manifestar?
Geralmente quem contrai o vírus não costuma apresentar os sintomas de febre amarela ou os apresenta de forma muito fraca. Os primeiros sintomas são febre, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos, olhos, face ou língua avermelhados e sensibilidade à luz. Esses sintomas costumam durar entre três e quatro dias.

Algumas pessoas podem desenvolver sintomas mais graves cerca de 24 horas após a recuperação dos sintomas mais simples. Nesta fase o vírus pode atingir o fígado e os rins. Quem entra nessa fase da doença pode apresentar retorno da febre alta, icterícia (devido ao dano que o vírus causa no fígado), urina escura, dores abdominais, sangramento na boca, nariz, olhos ou estômago.

Em casos mais graves o paciente pode apresentar delírios, convulsões e até entrar em coma. Dependendo do dano causado no organismo, esta fase da febre amarela pode levar a morte no intervalo entre sete e dez dias. Por isso, pessoas que são diagnosticadas com febre amarela devem estar atentas ao aparecimento dos sintomas iniciais e observar se os sintomas mais graves se manifestam para busca de ajuda médica.

Quais são as formas de prevenção contra a febre amarela?
Pessoas que residem em regiões de risco precisam tomar a vacina contra a febre amarela, usar repelentes e evitar ficar em áreas de contato com o mosquito a partir do fim da tarde. Também é importante cobrir braços e pernas, pois os mosquitos costumam picar regiões da pele descobertas.

Quem mora nas metrópoles deve evitar viajar para regiões de risco. E caso seja necessário viajar para esses locais, é preciso tomar a vacina contra a febre amarela 10 dias antes de viajar. Além disso, também é importante usar repelente e evitar estar em áreas de contágio no fim da tarde quando os mosquitos saem para se alimentar.

Como funciona a vacina contra a febre amarela?
A vacina da febre amarela é feita a partir do vírus atenuado (cepa 17D) e é aplicada via subcutânea, na região do braço. O efeito protetor ocorre a partir do décimo dia depois de ter tomado a vacina e garante imunidade por pelo menos 10 anos. A vacina age estimulando o organismo a produzir sua própria proteção contra o vírus.

Em um cenário de surto como o atual, quem deve tomar a vacina?
No atual momento é importante que as pessoas que residem em áreas de risco tomem a vacina. Quem não está nessas localidades mas vai viajar para alguma área de risco precisa se vacinar 10 dias antes de viajar. Não é seguro a pessoa tomar a vacina no dia anterior à viagem, pois a janela imunológica da vacina é de 10 dias.

A vacina contra febre amarela faz parte do Calendário de Vacinação para pessoas que moram na área endêmica?
De 6 meses a 9 meses de idade incompletos: a vacina está indicada somente em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem inadiável para área de risco de contrair a doença.

De 9 meses até 4 anos 11 meses e 29 dias de idade: é indicado uma dose aos 9 meses de idade e uma dose de reforço aos 4 anos de idade.
A partir dos 5 anos de idade: se a pessoa já recebeu uma vacina, pode-se dar mais uma dose. Se ela nunca foi vacinada, é preciso dar uma dose inicial e outra de reforço 10 anos depois.

No caso de pessoas com mais de 60 anos que nunca foram vacinadas, o médico deve levar em conta os riscos da vacinação, que incluem o risco de eventos adversos nessa faixa etária ou decorrentes de comorbidades. Gestantes e lactantes são contraindicadas a tomar esta vacina, assim como pessoas imunossuprimidas.

Quem não deve tomar a vacina contra a febre amarela?
A vacina é contraindicada para gestantes, mulheres que estão amamentando, crianças até seis meses de idade. Pessoas imunodepressivas, como pacientes oncológicos e portadores de doenças crônicas também não devem tomar a vacina. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergências epidemiológicas, vigência de surtos, epidemias ou viagens para áreas de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e risco da vacinação.

No caso de mulheres que estejam amamentando e receberam a vacina, o aleitamento materno deve ser suspenso preferencialmente por 28 dias após a vacinação.

Matéria: http://www.minhavida.com.br/saude


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