O que fazer para que crianças gostem de legumes?

Crianças podem aprender a comer novos legumes se eles forem introduzidos com regularidade antes dos dois anos, segundo um estudo da Universidade de Leeds.

criancas e legumes

Até crianças mais agitadas podem ser incentivadas a comer mais legumes e verduras, caso sejam oferecidos de cinco a 10 vezes, apontou a pesquisa.
A equipe de investigação deu purê de alcachofra a 332 crianças com idades entre 4 e 38 meses da Grã-Bretanha, França e Dinamarca. Uma em cada cinco comeram tudo que estava em seus pratos, enquanto 40% aprenderam a gostar de alcachofra. O estudo também dissipou o mito popular de que o gosto dos legumes precisa ser mascarado para que as crianças possam comê-los.

Durante o estudo, cada criança recebeu entre cinco e 10 porções de pelo menos 100 gramas de purê de alcachofra. O purê foi servido puro, adoçado com açúcar ou misturado com óleo vegetal para adicionar energia.

Os pesquisadores descobriram que havia pouca diferença na quantidade consumida ao longo do tempo entre aqueles que foram alimentados com o purê puro e os que tinham a versão adoçada, sugerindo que tornar os legumes doces não incentiva as crianças a comerem mais. Em geral, o estudo aponta que crianças mais jovens comiam mais alcachofra do que as mais velhas.

O professor Marion Hetherington, autor do estudo do Instituto de Ciências Psicológicas de Leeds, disse que isso era porque crianças tornam-se exigentes e cautelosas a partir de uma determinada idade. “Quando têm menos de dois anos, elas vão comer novos legumes porque tendem a estar dispostas e abertas a novas experiências”, disse ele. “Após os 24 meses, crianças tornam-se relutantes em experimentar coisas novas e começam a rejeitar alimentos – mesmo aqueles que antes elas gostavam”.

A maioria das crianças do estudo foi considerada “aprendizes” (40%) – elas comiam mais alcachofra ao longo do tempo. As “não-comedoras” eram 16% das crianças, por comerem menos do que 10 gramas, mesmo quando foram oferecidas pela quinta vez. O restante não se encaixou em qualquer grupo.

Hetherington disse que sua pesquisa, financiada pela União Europeia, dá uma orientação valiosa para pais que querem incentivar dietas saudáveis para seus filhos. “Se você quer incentivar seus filhos a comer legumes, faça isso cedo e frequentemente”. “Mesmo se o seu filho for agitado ou não gostar de legumes, nosso estudo mostra que cinco a 10 exposições farão o trabalho”.

A alcachofra foi escolhida para o estudo por ser o legume que pais disseram estar menos propensos a cozinhar.

Conheça agora algumas regras para incentivar seus filhos a terem uma alimentação saudável:

REGRA DE OURO NÚMERO 1 – “Pais e mães: vocês são responsáveis pela educação alimentar de seus filhos” | Em seu livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, Karen Le Billon diz que os pais devem lidar com a alimentação infantil com autoridade, mas não com autoritarismo. O que comer, onde e quando são decisões que cabem aos adultos. Para ajudar nessa tarefa, você pode criar as regras da sua casa, como a criança tem permissão para comer um pedaço de fruta quando quiser, mas tem de pedir para comer qualquer outra coisa.

REGRA DE OURO NÚMERO 2 – “Evite comer por motivos emocionais” | Segundo Karen Le Billon, autora do livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, na França, um adulto jamais oferece uma guloseima a uma criança como consolo por ela estar chorosa. Ela diz que é preciso explicar às crianças a lógica da refeição. Primeiro, come-se legumes e verduras. Depois, a sobremesa. Mas não diga que ela só vai ganhar o doce se comer os vegetais, o que pode levá-la a desvalorizá-los ou até mesmo a detestá-los.

REGRA DE OURO NÚMERO 3 – “Os pais planejam os cardápios e os horários das refeições” | “Crianças ficam mais dispostas a comerem comidas que viram seus pais, ou outros adultos de confiança, comerem primeiro”, diz Karen Le Billon, autora do livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”. Na obra, ela conta como a experiência de morar um ano na França mudou a relação de suas filhas pequenas com a comida. Ao voltar para o Canadá, Karen constatou que os novos hábitos foram consolidados. “Minhas crianças continuam gostando dos alimentos que aprenderam a comer lá. São mais aventureiras à mesa”.

REGRA DE OURO NÚMERO 4 – “A comida é social” | De acordo com Karen Le Billon, autora do livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, estar com a família reunida, à mesa, sem distrações, tem um efeito bastante positivo para a criação de hábitos alimentares saudáveis nas crianças. Ela ainda fala que criar rituais pode tornar o momento mais especial, como pedir às crianças que falem sobre seu dia. Outra estratégia é convidar, vez ou outra, crianças mais velhas que gostam de comer bem para se juntarem aos seus filhos, o exemplo “dos pares”, às vezes, faz mágica.

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REGRA DE OURO NÚMERO 5 – “Coma legumes e verduras de todas as cores do arco-íris” | No ano em que morou na França, Karen Le Billon, autora do livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, aprendeu que, para os franceses, é tarefa dos adultos ajudar a criança a amadurecer o paladar. Para tanto, ela sugere que os pais incentivem o filho a ir além do hábito de julgar um alimento por sua cor ou aparência. Vale para isso até propor uma brincadeira que é uma versão da “cabra-cega”, vedando os olhos da criança e pedindo que ela experimente comidas. Outra dica prática é não comer o mesmo prato mais de uma vez por semana.

criancas comendo

REGRA DE OURO NÚMERO 6 – “Para quem é enjoado na hora de comer: você não tem que gostar, mas tem que experimentar” | Karen Le Billon, autora do livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, diz que os pais devem incentivar os filhos desde bebês a experimentarem comidas novas. Uma estratégia é servir o novo alimento como parte de uma refeição gostosa e já conhecida. Incentive seu filho a provar, mas não o obrigue a raspar o prato. Se não der certo na primeira vez, não desista. Segundo ela, pesquisas mostram que uma criança precisa de uma dúzia (ou até mais) de degustações antes de aceitar comer algo novo.

REGRA DE OURO NÚMERO 7 – “Limite os petiscos, idealmente um por dia (dois, no máximo), e nunca menos de uma hora antes das refeições” | Karen Le Billon, autora do livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, confessa que essa foi a regra mais difícil de aplicar às suas filhas, Sophie, 7 anos, e Claire, 3, quando a família se mudou do Canadá para a França. As meninas beliscavam livremente entre as refeições. De volta ao seu país de origem, a regra teve de ser flexibilizada um pouco, já que as garotas passaram a fazer um lanche na escola. “Mas, no final de semana, voltamos ao esquema francês, de três refeições e um lanche”, diz Karen.

REGRA DE OURO NÚMERO 8 – “Uma refeição lenta é uma refeição feliz” | Não ter pressa para fazer nem para comer é o primeiro passo para pôr em prática essa regra. Karen Le Billon, autora do livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, diz que é fundamental que o adulto tire toda a pressão e a exigência sobre o ato de comer. Um caminho é envolver a criança na preparação da refeição, como pedir que ela ajude a colocar a mesa ou que a decore. Mostre prazer ao comer sua refeição, mastigando devagar e apreciando o alimento, seu filho, com certeza, irá imitá-lo.

REGRA DE OURO NÚMERO 9 – “Coma principalmente comida caseira de verdade” | Não tem solução milagrosa, não há como oferecer uma alimentação saudável às crianças se ela for baseada em produtos processados e/ou industrializados. Segundo Karen Le Billon, no livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, guarde as guloseimas para ocasiões especiais. Limite hambúrgueres ou pizzas a uma vez na semana e, antes de colocar uma sobremesa adocicada na mesa, sirva frutas frescas.

REGRA DE OURO NÚMERO 10 – “Comer é algo prazeroso e não estressante” | Karen Le Billon, autora do livro “Crianças Francesas Comem de Tudo”, diz que sempre recomenda que as famílias comecem a mudar seus hábitos alimentares por essa regra. “Comer é algo alegre, então, relaxe. Tente fazer as refeições em família o mais divertidas possível. E, definitivamente, evite fazer sermões para o seu filho ou colocar pressão sobre ele para que coma bem”, afirma. Não há problema em flexibilizar as regras de vez em quando.

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